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Como importar produtos e receber no Brasil? Passo a passo

10 min de leitura 19/06/2026 Redação
Como importar produtos e receber no Brasil? Passo a passo

Importar produtos para revender no Brasil pode parecer complexo à primeira vista, mas é um processo estruturado com etapas bem definidas. O que determina o sucesso não é apenas encontrar um bom fornecedor no exterior, mas calcular corretamente os custos com impostos, escolher a modalidade de importação adequada ao volume e ter um plano de distribuição nacional depois que a mercadoria entra no país.

Neste guia, você vai entender cada etapa do processo, os impostos que incidem, o que é necessário para importar legalmente e como estruturar a logística nacional após o desembaraço.

Importação simplificada ou formal: qual escolher?

Antes de qualquer outra decisão, é preciso definir a modalidade de importação. Essa escolha impacta a burocracia envolvida, os custos e o limite de volume por operação.

Importação simplificada

É feita pelos Correios ou por empresas de courier como DHL e FedEx. O limite por operação é de US$ 3.000 e os impostos são recolhidos automaticamente na entrada do pacote. A burocracia é menor e não exige habilitação no Siscomex, o que torna esse modelo adequado para quem está começando, testando produtos ou trabalha com volumes pequenos.

A limitação é justamente o teto de US$ 3.000 por operação e o custo do frete courier, que é significativamente mais alto que o frete marítimo para volumes maiores.

IMPORTAÇÃO SIMPLIFICADA

Importação formal

Exige CNPJ ativo, habilitação no sistema Radar/Siscomex da Receita Federal e contratação de um despachante aduaneiro para o processo de desembaraço. Não tem limite de valor por operação e dá acesso a regimes especiais de tributação que podem reduzir a carga fiscal em situações específicas.

É o modelo recomendado para quem importa de forma recorrente, com volumes maiores, ou para quem quer escalar a operação sem ficar limitado ao teto da importação simplificada.

IMPORTAÇÃO FORMAL

Passo a passo: como importar produtos no Brasil

1. Habilite a empresa no Siscomex

Para importações formais, o primeiro passo é habilitar a empresa no sistema Radar da Receita Federal. Sem essa habilitação, não é possível realizar importações formais legalmente. O processo exige CNPJ ativo, documentação que comprove capacidade operacional e financeira, e pode levar semanas dependendo da modalidade de habilitação solicitada.

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2. Classifique o produto na NCM

A classificação NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o que determina a alíquota do Imposto de Importação e do IPI para o produto. Classificar errado gera divergências de custo que só aparecem no desembaraço, quando já é tarde para renegociar com o fornecedor. Para produtos com NCM ambígua, consulte um despachante aduaneiro antes de fechar a compra.

CLASSIFIQUE O PRODUTO NA NCM

3. Encontre fornecedores confiáveis

Plataformas B2B como Alibaba concentram fabricantes de praticamente todos os setores e são um ponto de partida eficiente para quem está começando. Para produtos mais complexos ou de maior valor, participar de feiras comerciais como a Canton Fair, que acontece duas vezes por ano em Guangzhou na China, permite avaliar os fornecedores pessoalmente, ver a estrutura da fábrica e negociar com representantes diretos.

Independente do canal, solicite amostras antes de fazer pedidos maiores e verifique se o produto atende às certificações exigidas no Brasil. Eletrônicos e brinquedos precisam de certificação INMETRO. Cosméticos e alimentos passam pela Anvisa. Produtos que não atendem às regulamentações brasileiras são retidos na alfândega, e o custo do confisco é integralmente do importador.

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4. Calcule o custo real da importação

O erro mais comum de quem está começando a importar é calcular o custo considerando apenas o preço do produto e o frete internacional. O custo real inclui muito mais:

  • Valor da mercadoria (FOB ou CIF, dependendo do Incoterm negociado)
  • Frete internacional (aéreo, marítimo ou courier)
  • Seguro da carga
  • Imposto de Importação (II): varia conforme a NCM, pode chegar a 60% do valor aduaneiro
  • IPI: para produtos industrializados, alíquota variável por NCM
  • ICMS: 17% a 20% dependendo do estado de destino
  • PIS: 1,65% sobre o valor importado
  • COFINS: 7,6% sobre o valor importado
  • Taxas de desembaraço aduaneiro
  • Honorários do despachante
  • Frete nacional para distribuição após o desembaraço

Em muitos casos, o custo final é 2 a 3 vezes o valor original do produto. Fazer essa conta antes de fechar a compra com o fornecedor é o que determina se a operação é viável ou não.

CALCULE O CUSTO REAL DA IMPORTAÇÃO

5. Prepare a documentação aduaneira

Os documentos necessários para o desembaraço aduaneiro incluem:

  • Fatura Comercial (Commercial Invoice): especifica valor, descrição, peso e condições de pagamento
  • Conhecimento de Embarque (Bill of Lading ou Air Waybill): comprova que a mercadoria foi embarcada
  • Packing List: detalha o conteúdo de cada caixa ou pallet
  • Certificado de Origem: necessário para produtos que têm acordos comerciais com o Brasil
  • Declaração de Importação (DI): registra a entrada oficial da mercadoria no país
  • Licenciamento de Importação (LI): exigido para produtos sujeitos a controle especial

PREPARE A DOCUMENTAÇÃO ADUANEIRA

6. Desembaraço aduaneiro

Quando a mercadoria chega ao Brasil, passa pelo processo de desembaraço aduaneiro. O despachante aduaneiro é o responsável por registrar a Declaração de Importação, pagar os impostos devidos e garantir que a documentação está correta para liberar a carga.

O prazo de desembaraço varia conforme o canal de parametrização atribuído pela Receita Federal: verde (liberação automática), amarelo (conferência documental), vermelho (conferência documental e física) ou cinza (verificação de preço, classificação ou origem). Canal verde pode liberar em horas; canal cinza pode levar semanas.

DESEMBARAÇO ADUANEIRO

7. Logística nacional: distribuição após o desembaraço

Esse é o passo que a maioria dos guias de importação ignora, mas que é determinante para quem importa para revender. Depois que a mercadoria é desembaraçada, ela precisa sair do porto ou aeroporto e chegar ao estoque. Depois do estoque, precisa ser distribuída para os clientes.

Dependendo do volume e do modelo de negócio, as opções são:

  • Estoque próprio com distribuição via transportadoras: mais controle, mais custo fixo
  • Fulfillment terceirizado: indicado para quem vende em marketplaces e precisa de agilidade no despacho
  • Dropshipping: em modelos específicos onde o fornecedor envia direto ao cliente final

A escolha da transportadora certa para cada região e tipo de produto impacta diretamente o custo e o prazo de entrega ao cliente final. Para produtos importados que costumam ter ticket médio mais alto, transportadoras com menor taxa de avaria e rastreamento detalhado são prioritárias.

Importar é só metade do trabalho. Distribuir o produto no Brasil com eficiência é o que define a margem.

Logística nacional para importadores

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Quais produtos valem a pena importar para revender?

A viabilidade de importar um produto para revenda depende de três fatores: margem após impostos, demanda no mercado brasileiro e conformidade regulatória.

Produtos com alta alíquota de Imposto de Importação, como calçados e pneus, costumam ser inviáveis. Produtos sujeitos a certificação INMETRO ou Anvisa exigem tempo e custo de regularização antes de poder vender. Produtos falsificados ou de marca sem autorização oficial são confiscados na alfândega.

Os segmentos que costumam apresentar melhor margem para importação formal são equipamentos industriais e componentes técnicos com NCM específica, produtos de moda e acessórios sem alta alíquota protetiva, itens de beleza e cosméticos com certificação Anvisa em dia, e eletrônicos e periféricos com certificação INMETRO.

O que nenhum guia de importação te conta sobre a logística nacional

Importar com sucesso e distribuir com eficiência são dois problemas diferentes. Muitos importadores resolvem bem a primeira parte e travam na segunda.

O produto chega ao Brasil, é desembaraçado, entra no estoque e aí começa o problema real: prazo de entrega ao cliente que não é competitivo com produtos nacionais, custo de frete que corrói a margem que parecia boa no papel, avarias em transporte de produtos que chegaram intactos da China mas quebraram na última milha no Brasil.

Para revender com margem saudável, a logística nacional precisa ser tratada com o mesmo rigor que o processo de importação. Isso significa escolher transportadoras com base em desempenho real por rota, não por preço de tabela, e monitorar taxa de avaria especialmente para produtos com embalagem original de valor.

Conclusão

Importar produtos para revender no Brasil é viável e pode ser altamente lucrativo, mas exige planejamento em cada etapa: habilitação no Siscomex, classificação correta na NCM, cálculo completo dos impostos, documentação aduaneira em ordem e, depois do desembaraço, uma estratégia de distribuição nacional que preserve a margem construída na compra internacional.

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Perguntas frequentes

1 – Como importar produtos para revender no Brasil?

R: É necessário ter CNPJ, habilitar a empresa no Radar/Siscomex, encontrar fornecedores confiáveis, calcular impostos (II, ICMS, PIS, COFINS), contratar despachante aduaneiro e definir a logística de distribuição nacional após o desembaraço.

2 – Qual a diferença entre importação simplificada e formal?

R: A simplificada é feita por courier com limite de US$ 3.000, sem habilitação no Siscomex. A formal não tem limite de valor, exige CNPJ, habilitação no Radar e despachante aduaneiro. Para operações recorrentes ou volumes maiores, a formal é o modelo adequado.

3 – Quais impostos são cobrados na importação?

R: Imposto de Importação (até 60% do valor aduaneiro), ICMS (17% a 20% por estado), PIS (1,65%), COFINS (7,6%) e IPI para produtos industrializados. O custo total de impostos pode dobrar ou triplicar o valor original do produto.

4 – O que é o Siscomex e como habilitar minha empresa?

R: Siscomex é o Sistema Integrado de Comércio Exterior da Receita Federal, obrigatório para importações formais. Para habilitar, a empresa precisa de CNPJ ativo e deve solicitar o cadastro no sistema Radar junto à Receita Federal com documentação que comprove capacidade operacional.

5 – Como calcular o custo real de importar um produto?

R: Some o valor da mercadoria, frete internacional, seguro, Imposto de Importação, IPI, ICMS, PIS, COFINS, taxas de desembaraço, honorários do despachante e frete nacional. Em muitos casos o custo final é 2 a 3 vezes o preço original do produto.

6 – Como distribuir produtos importados no Brasil após o desembaraço?

R: As opções são estoque próprio com distribuição via transportadoras, fulfillment terceirizado para quem vende em marketplaces, ou dropshipping em modelos específicos. A escolha da transportadora por rota e tipo de produto impacta diretamente custo e prazo de entrega ao cliente final.

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